Floresta em pé: como proprietários rurais podem obter lucros e benefícios ambientais?

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Floresta em pé: como proprietários rurais podem obter lucros e benefícios ambientais?

Uma floresta em pé, de forma simples, é uma área de vegetação nativa que não foi desmatada, contribuindo para a preservação da biodiversidade, a captura de carbono e outros benefícios ambientais.

Sendo assim, manter a floresta em pé significa não realizar atividades de desmatamento ou degradação, permitindo que ela continue desempenhando seu papel no ecossistema.

Mas o que muitos proprietários rurais ainda não sabem é que a floresta em pé representa um recurso valioso e multifuncional, sendo possível obter benefícios econômicos e ambientais através dela.

Quer entender como? Então, continue conosco!

Quais são as áreas que não podem ser desmatadas em propriedades rurais de acordo com a legislação brasileira?

Para entender como é possível obter lucro e benefícios ambientais por meio da floresta em pé, você também precisa conhecer as áreas que não podem ser desmatadas de acordo com a legislação brasileira, representada pelo Novo Código Florestal (Lei Federal 12.651/2012).

São elas:

Área de Preservação Permanente (APP)

De acordo com o próprio Código Florestal, uma APP é uma “área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.”

Elas são, geralmente, áreas de mananciais, manguezais, matas ciliares, etc.

É importante dizer que as APPs não são intocáveis, mas seu uso é estritamente regulamentado.

Qualquer intervenção deve ser previamente autorizada pelo órgão ambiental competente.

Quando não autorizado, a intervenção é considerada um crime ambiental, conforme estabelecido na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), sujeita a penalidades que variam de acordo com a gravidade da infração, incluindo multas e, em casos mais graves, detenção de 1 a 3 anos.

As APPs só podem ser objeto de intervenção em situações de utilidade pública, interesse social ou quando a intervenção cause um baixo impacto ambiental.

Reserva Legal (RL)

É uma parte da propriedade rural que deve ser mantida com vegetação nativa, conforme os percentuais definidos pelo Código Florestal. 

Estes percentuais variam dependendo da região do país. Por exemplo, nas áreas de floresta da Amazônia, é necessário manter 80% da propriedade como Reserva Legal.

Também é permitida a exploração econômica nessa área, a depender de autorização do órgão competente.

O Código Florestal prevê a possibilidade de seu manejo sustentável em algumas situações e oportunidades, e além da autorização, deverá atender às seguintes diretrizes e orientações:

“I – não descaracterizar a cobertura vegetal e não prejudicar a conservação da vegetação nativa da área;

II – assegurar a manutenção da diversidade das espécies;

III – conduzir o manejo de espécies exóticas com a adoção de medidas que favoreçam a regeneração de espécies nativas.”

Quais benefícios podem ser obtidos ao manter a floresta em pé?

Os benefícios de se manter a floresta em pé, vão desde ambientais até econômicos. Vamos conhecer alguns dos principais:

  1. Conservação de recursos naturais: a floresta em pé ajuda a evitar erosões, protege nascentes de rios e contribui para a qualidade e quantidade de água disponível na propriedade.
  2. Captura de carbono: as árvores em crescimento absorvem dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Sendo assim, a floresta em pé ajuda a capturar e armazenar carbono, reduzindo a pegada de carbono da propriedade.
  3. Biodiversidade: a floresta é o lar de grande diversidade de flora e fauna. Manter essas áreas intactas promove a biodiversidade, proporcionando habitat e alimento para várias espécies.
  4. Melhoria da qualidade de vida: a floresta ajuda a reduzir o calor excessivo, melhora a qualidade do ar e proporciona espaços para atividades de lazer e recreação.
  5. Lucros sustentáveis: os benefícios econômicos incluem a produção de madeira, resinas, óleos e outros produtos florestais não madeireiros, como frutas e castanhas.
  6. Ecoturismo: áreas florestais bem preservadas podem se tornar destinos atrativos para o ecoturismo. Muitas pessoas buscam experiências de contato direto com a natureza, como trilhas na mata, observação de aves e vida selvagem, acampamentos e passeios. 
  7. Atração de investidores: a manutenção de florestas em pé pode atrair investidores e parceiros comerciais que valorizam a sustentabilidade ambiental. Muitas empresas buscam demonstrar seu compromisso com essa causa e estão dispostas a apoiar financeiramente projetos de conservação florestal em propriedades rurais.

Como é possível que proprietários rurais obtenham lucro através da floresta?

Muitas vezes, a conservação ambiental é vista como uma inimiga dos lucros no setor agrícola. Mas trouxemos um estudo que nos mostra que não é bem por aí:

Uma reportagem do The Nature Conservancy trouxe um estudo publicado na revista World Development que destaca a importância da preservação das vegetações nativas do Cerrado e da Amazônia para a produção de soja.

A pesquisa revela que o desmatamento para a expansão das plantações de soja resultou em perdas econômicas substanciais, chegando a US$ 1.3 bilhão anualmente entre 1985 e 2012. 

Com as mudanças climáticas, essa cifra pode aumentar para US$ 4 bilhões por ano até 2050.

A relação entre a remoção de vegetação nativa e a diminuição da produtividade é evidente, com uma queda de até 14% na produção em áreas onde 30% da vegetação foi retirada num raio de 50 km. 

Além disso, o desmatamento contribui para o aumento do calor local, prejudicando ainda mais os produtores. A pesquisa ressalta que manter a floresta em pé não é apenas uma questão ambiental, mas também uma necessidade financeira para o setor agrícola.

Em vista disso, fica claro que a obtenção de lucro com a floresta em pé envolve o manejo sustentável dessas áreas.

Isso pode incluir a colheita planejada de árvores para a produção de madeira, a coleta de produtos não madeireiros e até mesmo a venda de créditos de carbono.

Além disso, a integração de áreas florestais com atividades agropecuárias melhora a produtividade e a qualidade das colheitas, reduzindo a necessidade de insumos químicos.

A diversificação da produção, com cultivos agrícolas combinados com produtos florestais, também aumenta a renda e reduz os riscos financeiros.

Área degradada em propriedades rurais: como a restauração florestal pode ser a solução?

Para manter uma floresta em pé e viabilizar sua exploração econômica, é preciso que a área não esteja degradada. 

Portanto, a restauração florestal pode ser a solução para recuperar áreas desmatadas ou degradadas, ajudando a restaurar a biodiversidade, melhorar a qualidade do solo e aumentar a capacidade de captura de carbono.

O H2A – Hub AgroAmbiental pode ajudar você, proprietário rural, que deseja obter benefícios econômicos e ambientais com a floresta em pé.

Nosso Hub conecta você a recursos financeiros, conhecimento técnico e oportunidades de mercado, tornando a conservação da floresta e os lucros obtidos dela, uma realidade. Entre em contato conosco para saber mais!

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